CARTA AOS FILHOS - por Andrea Honaiser


Não se nasce mãe. Hoje penso que é preciso uma vida inteira para que isso aconteça. E vai sendo devagarinho, afinal a maternidade tem tantas fases... Primeiro, a surpresa! Às vezes é uma surpresa bem grande por ser inesperado, às vezes é fruto de planejamento e espera - mas sempre é um mistério.


Saber-se grávida é uma viagem! Atrasou a menstruação: teste! Logo a confirmação que tem um outro ser dentro, se desenvolvendo a cada dia. Um desejo de comidas exóticas, muito sono, pois o corpo precisa guardar energia para alimentar essa nova vida. E começam as brincadeiras de adivinhação se é menino ou menina, e a famosa frase “que venha com saúde”.


Começam os sonhos… como será a carinha dele? Que será que vai ser quando crescer? Pois é, vocês nem nasceram ainda e estamos pensando nisso. A cada dia a barriga vai crescendo, até que um dia ela dá uma leve “tremida”. Mexeu! À medida que o espaço vai ficando pequeno, a ansiedade de ver nascendo vai ficando cada vez maior.


Até que um dia acontece. Natural ou cesariana, quem sabe? O parto para um novo estado de ser. Respirar, sair desse mundo aquático e começar uma nova relação. De mãe e filho. O que estava oculto se revela.


Uma mãe nasce de novo nesse momento em que pela primeira vez olha nos olhos da cria recém parida. Não tem palavras para descrever a emoção desse momento. É uma força, uma potência. É atávico, o corpo sabe o que fazer. E, se não existir medo, a natureza faz seu trabalho. Também é uma emoção que não passa no primeiro filho. Ela se repete no segundo, no terceiro.


Hoje enquanto estou escrevendo, volto ao passado para lembrar da infância dos meus filhos. Sei que dizem que passa rápido e nem acreditamos. E é verdade. Voa e um dia nos pegamos mãe de gente grande. Mas por ora amamentar, trocar fraldas, dar comida, banho, brincar, parece uma rotina interminável. E conciliar com o resto das tarefas todas um desafio. Quando adoecem? Quanta preocupação! Primeiro sorriso, palavras, aquela disputa se vai dizer primeiro ma-ma ou pa-pa. Primeiros passos. E dali em diante a cada dia é crescer e ir ganhando autonomia.


Sou mãe de três filhos homens. O que mais desejo é que sejam felizes. Não só que sejam “bem sucedidos” mas é claro que também desejo isso a eles. Não me importa as opções e escolhas que façam, procuro respeitar. Às vezes bate uma culpa que poderia ter feito diferente, melhor: eu não sabia tanta coisa que sei hoje. Falhei algumas vezes. Exagerei em outras. Mas enfim, tentei ser mãe nem demais nem de menos. Deixar crescer, acolher, estar junto, apoiar sem tolher. Deixar acertar e errar. Ver se tornarem homens. Penso que passei os valores que acredito serem valores que impulsionam um ser a se tornar humano: que se importa com a vida e que sabe que o amor é o sentimento que alimenta, junto com a coragem e a força.


Afinal, a vida é uma jornada, e a cada passo vamos rumo à descoberta de que se pode mais e melhor quando estamos juntos. Que se pode trocar competição por cooperação. Que se pode falhar, cair, levantar, e que a vida sempre vai existir enquanto a gente não desistir.


Herói, vamos embarcar nessa energia do Dia das Mães e olhar para a relação com a sua mãe ou figura materna? A proposta é que você escreva uma carta para ela, dizendo tudo aquilo que precisa ser dito, mesmo que não a tenha conhecido ou já tenha feito sua passagem. Pegue uma folha em branco e uma caneta. Para começar, você pode escrever:


“Mãe, queria te dizer que…


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